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Doenças da articulação temporomandibular.

Disfunção e doença não são sinônimos

 

A mandíbula está unida ao crânio por duas articulações chamadas articulações temporomandibulares, as quais nos permitem abrir a boca. O povo as chama de “carrinho”. Comumente se fala em disfunção temporomandibular, termo que devemos descartar por impreciso e genérico. Impreciso porque não marca a presença de uma doença especifica, e genérico porque junta um número importante de doenças que podem acontecer na mesma área anatômica.

As articulações temporomandibulares podem ser afetadas por doenças locais e sistêmicas, traumatismos, infecções, processos auto-imunes e também problemas dentários. Golpes de pouca magnitude em idades prematuras podem provocar grandes lesões anos mais tarde. A particularidade destas lesões é que nem sempre apresentam moléstias no local, mas sim à distância, com sintomas tais como dores nas costas, na coluna cervical, cabeça, pescoço e ouvido, zumbidos e tonturas, podendo o paciente, em alguns casos, despertar com a sensação de ter a boca trancada e mais pesada.

Nos casos mais agudos existem até pacientes que fraturam os dentes, durante o sono.


Dor referida a partir dos músculos envolvidos nos movimentos mandibulares

Muitas vezes escutamos explicações simplistas rotulando as queixas do paciente como sendo manifestações de tipo psicossomático. Estas queixas devem ser investigadas rapidamente, pelo respeito ao nosso paciente frágil pela dor, e que muitas vezes é tratado como se essas dores fossem produtos da sua ansiedade. O correto estudo diagnóstico do paciente com todos os métodos disponíveis é imprescindível antes de qualquer intervenção pelo profissional.

Métodos de diagnóstico

Os métodos de eleição para o estudo destas doenças serão os estudos por imagens, após detalhada historia clínica e exame físico pelo dentista especializado. A ressonância nuclear tem contribuído substancialmente para a nossa compreensão da anatomia, fisiologia e doenças das articulações temporomandibulares, permitindo avaliar não só os danos nos ossos, mas também os processos inflamatórios ou degenerativos existentes nos tecidos moles em torno das juntas.

Ressonância nuclear de uma articulação temporomandibular sadia (à esquerda), colorida à direita para fins didáticos. Linha amarela =fossa mandibular- em verde = disco mandibular- em vermelho = cabeça da mandíbula ou côndilo mandibular.

Ressonância nuclear de uma articulação temporomandibular doente à esquerda, colorida à direita para fins didáticos.  Processo degenerativo (artrose), necrose óssea e luxação (deslocamento) do disco articular. Importante faceta superior na cabeça da mandíbula colorida em bege, disco mandibular em vermelho anteriorizado fora da cabeça mandibular. Falta de sinal na medular da cabeça mandibular (pontos negros oscuros por baixo da faceta.( compare com o côndilo e  o disco da ATM sadia )

Os deslocamentos discais são produtos de alterações dos ligamentos. Luxação anterior do disco não é um diagnóstico e sim um sinal que pode ser provocado por diferentes etiologias.

As imagens poderão nos orientar na doença existente, mas em muitos casos serão as análises de laboratório os responsáveis por ratificar o diagnóstico.

A ocorrência de fatores bacterianos como causas de alterações da articulação temporomandibular foi amplamente descrita assim como em articulações de todo o corpo.

Os estudos mais comuns são os utilizados para diagnosticar a existência de infecções por causa de Estreptococo Beta hemolítico e clamídias trachomatis, clamídias pneumoniae e micoplasmas entre outros.

Marcadores da fase aguda hemograma, VSG, Proteína C reativa.  A imunología é sem duvida uma das armas no diagnóstico dos fatores etiológicos das doenças da articulação temporomandibular exames como a pesquisa do fator reumatóide ate  os mais específicos como os anticorpos antinucleares HEp2 Anti DNA, Anti SSA, Anti SSB, Anti CCP. Solicitados pelo médico reumatologista.

A eletromiografia de superfície é um método eletrônico de registro da função muscular amplamente utilizado na análise das doenças  temporomandibulares. Em qualquer registro, observar gráficos eletromiográficos alterados exige treinamento prévio qualificado. Esses registros podem ser estáticos ou dinâmicos

Os estudos estáticos são aqueles nos quais se registra o tônus muscular. As alterações mais comuns podem ser classificadas em patologias por hiperatividade, por hipoatividade e por desequilíbrio. A patologia por hipoatividade apresenta-se como espasmo muscular preventivo perante qualquer dano que afete a região.

Os músculos antagonistas devem funcionar de forma sinérgica e deve existir um período de relaxamento. Sinergismo e relaxamento propiciam a recuperação muscular. Os estudos dinâmicos podem incluir diferentes atividades dos pacientes. A eletromiografia de superfície serve não só como uma ferramenta diagnóstica mas fundamentalmente como uma ferramenta para o controle do progresso no nosso tratamento.


Indicadores dos eletrodos para um exame eletromiografia de superfície


Exame eletromiográfico dinâmico habitual. Nesse protocolo se solicita ao paciente que abra a boca, feche, morda forte e degluta. Nesta eletromiografia, a assimetria entre os temporais chega a ser de 80%. A mesma proporção se registra entre os masseteres.

Sem dúvida o alivio da dor é fundamental para o paciente, mas sarar a articulação, nos casos onde isto seja possível, é o objetivo principal.

Um diagnóstico correto é a chave para o sucesso do tratamento.

 

Prof. Dr. Jorge Alfonso Learreta. Especialista em Disfunção da Articulação Temporomandibular e Dor Orofacial.Argentina- jorgelearreta@fibertel.com.ar

Dra. Lidia Graciela Yavich Especialista em Disfunção da Articulação Temporomandibular e Dor Orofacial. Porto Alegre-Brasil –lidiayavich@terra.com.br

 

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